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John M. Opitz
Professor de
Pediatria e Genética Humana, Universi-dade de Utah; Escola
de Medicina, Salt Lake City, Utah e professor universitário
de Humanidades Médicas, Universidade do Estado de Montana -
Bozeman, Montana, USA.
“Como
humanista, sou apaixonadamente comprometido com todas essas
manifestações do pensamento e do
espírito nas instituições musicais,
artísticas e humanistas da civilização
ocidental que, através dos séculos, têm
dado especial significado à vida humana e ajudado a redimir
seu sofrimento, especialmente aquele adquirido inocentemente.” In: O que é Normal Considerado no
Contexto da Genetização da
Civilização Ocidental ? (Veja o Artigo Completo)
“As populações ocidentais
são particularmente suscetíveis de alarme (ou
euforia) ao ouvir ou ler as últimas notícias
("avanços") sobre genética. Isso ocorre
graças a uma precedente e longa
tradição cultural de incorporar esses
pronunciamentos, freqüentemente preliminares e
incompreensíveis, a uma visão ou
concepção específica de si mesmos como
uma soma de partes potencialmente defeituosas e, hoje, potencialmente
"consertáveis", e de tomar decisões concretas
sobre o estilo de vida com base nessas
percepções.” In: O que é Normal Considerado no
Contexto da Genetização da
Civilização Ocidental ? (Veja o Artigo Completo)
“Parece
apenas justo que preceda minha discussão com algumas notas
pessoais com vistas a ajudar a me localizar no contexto das
questões e expor, desde o início, as
experiências e preconceitos que trago a esta
discussão.
Natural da Alemanha e há muito tempo cidadão dos
Estados Unidos, tenho desenvolvido a perceptiva de um cives mundi com
especial preocupação com a história da
"desumanidade do homem para com o homem", particularmente aquela
baseada em argumentos de interesse nacional ou racial. Antes e depois
da Segunda Guerra Mundial morei por um breve período em
Nuremberg, "die Stadt der Reichsparteitage", onde minha mãe
ajudou a preparar e a traduzir para o inglês a
apresentação da promotoria dos Julgamentos de
Crimes de Guerra. Nesse local, aliás, após a
conclusão do julgamento dos médicos nazistas
("Der Nümberger Arzteprozess, Fall I der sogenannten
Nachfolgeprozesse") foi elaborado, para a profissão
médica, o famoso Código de Nuremberg.
Como
há já 40 anos detenho forte interesse em biologia
do desenvolvimento (1), procuro combinar minha
formação em zoologia com o treinamento em
pediatria, objetivando alcançar uma melhor perspectiva sobre
as relações entre a
evolução e o desenvolvimento, conhecendo e
respeitando o fato de que todos os organismos vivos, inclusive os
humanos, estão relacionados e são
interdependentes em uma frágil e vulnerável teia
de vida, terra, ar, luz e água - da qual devemos ser
guardiões responsáveis.
Como
geneticista clínico, tendo cuidado de cerca de milhares de
pacientes, fetos e famílias por mais de 30 anos, estou
comprometido, acima de qualquer coisa, com a primazia dos direitos do
paciente a assistência, respeito, autonomia, integridade e
autodeterminação. Pacientes esses que, durante
toda a minha carreira, têm sido meus mais importantes
professores e uma fonte inesgotável de dignidade perante a
morte, aborto, malformação, infortúnio
e sofrimento de longa duração.
Durante a trajetória de meu trabalho nesse campo, fui
privilegiado em tornar-me fundador do American Board and American
College of Medical Genetics, do Centro de Genética Clinica
de Wisconsin, Universidade de Wisconsin, do Departamento de
Genética Médica do Hospital Shodair, em Helena, e
do Programa de Genética Médica do Estado de
Montana. Uma das principais causas do fortalecimento desse programa foi
o fato de que durante todo o tempo em que com ele estive envolvido
tivemos contato com praticamente todos os profissionais atuantes
científica e academicamente em genética
médica de todo o mundo, através da editoria do
American Journal of Medical Genetics. Conseqüentemente, falo
do assunto da genética médica ou
genética clinica sob a perspectiva de um médico,
administrador, lobista legislativo, membro do corpo docente de
universidade e estudante-pesquisador clínico.
Como
humanista, sou apaixonadamente comprometido com todas essas
manifestações do pensamento e do
espírito nas instituições musicais,
artísticas e humanistas da civilização
ocidental que, através dos séculos, têm
dado especial significado à vida humana e ajudado a redimir
seu sofrimento, especialmente aquele adquirido inocentemente.
Como
eticista, participei durante muitos anos como membro do
Comitê de Ética na Pesquisa com Seres Humanos, da
Faculdade de Medicina da Universidade de Wisconsin, e sei,
através de experiências de primeira
mão, quão difícil é avaliar
os temas muito problemáticos relativos à
ética com a expectativa de propor decisões do
tipo sim ou não. No inicio da década de 70,
participei, juntamente com vários colegas, eticistas,
filósofos, teólogos e pessoas leigas, de
ações que levavam à
população geral de vários locais do
Estado de Montana uma intensa discussão sobre
questões éticas na medicina, especialmente na
genética, sob o patrocínio do Comitê de
Humanidades de Montana.
Como
alguém que viveu de perto os horrores da guerra, um pai que
perdeu um filho, um médico que se sentou ao lado do leito de
muitas crianças gravemente enfermas ou moribundas, um
patologista fetal que realizou autópsias em milhares de
fetos e crianças de pais aflitos, estou dolorosamente
convencido da finitude da vida, mas também sei que sem
esperança, sem compromisso com o bem-estar da humanidade,
sem amor e sem um sorriso de alegria a vida pode ser uma morte viva.
Finalmente, como alguém cuja simples sobrevivência
dependeu tão freqüente e substancialmente da
bondade de outrem, sei, no mais profundo âmago de meu ser,
que a generosidade desinteressada e corajosa é uma das
maiores virtudes humanas.” In: O que é Normal Considerado no
Contexto da Genetização da
Civilização Ocidental ? (Veja o Artigo Completo)
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