Brasil, São Paulo, abril de 2007
Situação da Infância Brasileira 2006
O texto abaixo foi retirado integralmente da
publicação sobre a Situação da
Infância Brasileira, editada pelo Fundo das Nações
Unidas para a Infância (UNICEF).
Situação da Infância Brasileira 2006 [PDF]
http://www.unicef.org.br/
APRESENTAÇÃO
Trabalhar por um presente
e futuro melhores para a criança significa lutar por uma sociedade mais
democrática, igualitária e não-discriminatória, por um modelo de
desenvolvimento social e ambientalmente sustentável, e por um mundo de paz e justiça
social. Essas metas fazem parte dos ideários do UNICEF, estabelecidos na
Convenção sobre os Direitos da Criança, aprovada em 1989 pela Assembléia Geral
das Nações Unidas e ratificada por 192 países.
Esses princípios também
foram assumidos pelos chefes de Estado e de governo com a assinatura da
Declaração do Milênio (2000) e do documento Um mundo para as crianças (2002).
No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, reflete o conteúdo
da Convenção, enquanto o Plano Presidente Amigo da Criança e do Adolescente,
criado pelo governo em 2003, inclui pontos presentes nos Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio e em Um mundo para as crianças.
O relatório anual Situação
da Infância Brasileira é mais uma contribuição do UNICEF a esse debate. Neste
ano, enfatizamos os seis primeiros anos de vida da criança – fase fundamental
para o desenvolvimento saudável do indivíduo. Por isso, programas integrados de
desenvolvimento infantil são uma forma eficiente de intervenção para ajudar
crianças, famílias, comunidades e nações a quebrar o ciclo intergeracional de
pobreza. Os primeiros anos são para sempre – e o Brasil deve tratar com
prioridade os cerca de 23 milhões de cidadãos que estão nessa faixa etária.
Como signatário da
Declaração do Milênio e do documento Um mundo para as crianças, o Brasil
se comprometeu a melhorar significativamente seus indicadores em relação à
infância. Embora a situação tenha avançado na maioria das áreas, os números
ainda são preocupantes.
A taxa de mortalidade
infantil é um dos indicadores que, ao ser considerado de maneira histórica,
mostra os importantes avanços ocorridos. No período de 1994 a 2004, houve uma queda
de 32,6%, chegando a 26,6 por mil nascidos vivos. No entanto, o Brasil tem a
terceira maior taxa da América do Sul. Para 2015 o objetivo estabelecido pelo
governo é chegar a um índice de 16 por mil nascidos vivos.
A proporção de crianças
com baixo peso para a idade, principal indicador utilizado no Brasil para analisar
a desnutrição infantil, era de 7% em 1989 e chegou a 5,7% em 1996. Nesse item
especificamente estamos à frente das médias estimadas pela Organização Mundial
da Saúde (OMS) para a Ásia (32,8%), África (27,9%) e América Latina (8,3%). Mas
trata-se ainda de um índice alto, bem acima do desejável (4%). Como signatário
de Um mundo para as crianças, o País também se comprometeu a reduzir em
no mínimo um terço a desnutrição de crianças menores de 5 anos.
Além disso, o Brasil tem
outros desafios, como a universalização do direito ao registro civil de nascimento
e a oferta de pré-natal e parto de qualidade para as gestantes. O registro de
nascimento, medida fundamental para garantir a cidadania e os direitos do
recém-nascido, está longe da universalização. Segundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), a cada ano quase 750 mil crianças mais de um
quinto do total de recém-nascidos – completam o primeiro ano de vida sem ser
registradas. Sem o registro civil, a criança não existe perante o Estado e não
pode usufruir de uma série de serviços e benefícios garantidos por lei. O Plano
Presidente Amigo da Criança e do Adolescente, lançado em 2003, estabelece o
compromisso de trabalhar pela universalização do registro, por meio da
Mobilização Nacional para o Registro Civil de Nascimento, iniciada naquele ano.
Garantir, proteger e
respeitar os direitos das crianças nos primeiros seis anos não é tarefa apenas
dos governos e das organizações sociais. Ao lado dos demais segmentos da
sociedade, os empresários são responsáveis por oferecer condições de vida digna
e saudável para as crianças e suas famílias. Outros segmentos, como integrantes
de entidades de classe ou de comunidades religiosas, também devem contribuir.
Além disso, o papel central da família deve ser valorizado. Sob essa
perspectiva, o UNICEF trabalha com o objetivo de fortalecer conhecimentos,
práticas e habilidades dos familiares para o desenvolvimento pleno de suas
crianças.
O cenário de avanços e
desafios descrito neste relatório está também refletido em números na nova
edição do Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI). Com o apoio do IBGE, o
UNICEF apresenta à sociedade brasileira a comparação entre o IDI de 1999 e o de
2004 nos municípios e Estados. O ranking estadual dos municípios, segundo o
IDI, ajuda a reconhecer os esforços realizados em grande parte das localidades
e incentiva as administrações e as comunidades locais e acelerar os seus
esforços em prol da criança.
A análise do IDI revela
que houve melhorias substanciais nas condições oferecidas às crianças brasileiras
em muitos dos municípios. O sucesso de diversas políticas públicas para a
infância indica que o País tem condições de superar as adversidades – e, com
isso, dar condições de vida adequadas à cada criança e adolescente.
Marie-Pierre Poirier
Representante do UNICEF
no Brasil
In: Situação da Infância no Brasil 2006, pág. 06 e 07.