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FISIOTERAPIA
E INCLUSÃO: RELATO DE CASO DE PACIENTE COM ARTROGRIPOSE
MÚLTIPLA CONGÊNITA DO TIPO FREEMAN-SHELDON
Pires, F. S. L.¹*; Franco,
D.B.1; Franção, P.1;
Souza, A.A.F.1; Marchese, D.M.A. 1;
Horta, L.S.G.2;
Zöllner, A.C.R. 2
1. UNISA
– Faculdade de Fisioterapia; 2. UNISA – Faculdade
de Medicina - São Paulo – SP – Brasil
Palavras-chave:
artrogripose múltipla congênita; Freeman-Sheldon;
inclusão; fisioterapia
INTRODUÇÃO:
O termo artrogripose tem origem do grego
(arthro = articulação; gryp = encurvada) e
significa a limitação dos movimentos e a
contratura articular não progressiva presentes ao nascimento.1
A artrogripose múltipla congênita (AMC)
é uma síndrome complexa caracterizada por
contraturas de várias articulações em
diferentes partes do corpo, devidas a graus variados de fibrose e
encurtamento dos músculos afetados e espessamento da
cápsula periarticular e dos tecidos ligamentares das
articulações afetadas.2 A
AMC é classificada como miopática e
neurogênica, por biópsia muscular.3
Na forma neurogênica está enquadrada a
síndrome de Freeman-Sheldon (OMIM %193700 ), ou
síndrome do Assobiador, caracterizada por
alterações em crânio, face e
extremidades, sem alteração do cognitivo,
descrita pela primeira vez em 1938, por Freeman e Sheldon.4
Suas características clínicas mais comuns
são: fronte alta; perda de expressão facial;
hipoplasia do terço médio da face; hipoteorismo;
prega no epicanto; ptose de pálpebra superior;
inclinação ante-mongolóide das pregas
palpebrais; estrabismo convergente; blefarofimose; filtrum largo; boca
pequena; prega em forma de “H” em mento; palato
ogival; mandíbula pequena; pescoço curto com
pterigo; escoliose e cifose; espinha bífida oculta;
luxação do quadril; hérnia
ingüinal. Em membros, escassez de massa muscular;
limitação de movimento;
diminuição da pronação e
supinação do antebraço; deformidades
dos polegares em nível da articulação
metacarpofalangeana; divisão cubital dos dedos sem que
existam deformidades ósseas; pés tortos
congênitos (pé eqüinovaro bilateral;
pé em mata-borrão ou talo vertical). Acompanhadas
de deficiência no crescimento, disfagia, vômitos e
laringomalacia. O diagnóstico é realizado pela
clínica através de
avaliação das alterações
faciais e dos membros.4
Os direitos e
os propósitos da educação para
qualquer cidadão seja ele deficiente ou não,
estão estabelecidos na Constituição
Federal do Brasil de 1988 e detalhados na Lei 9394, de 26.12.1996, a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação: a
educação básica está
voltada para a formação integral do educando em
tríplice aspecto: individual de
“auto–realização”,
individual social, de qualificação para o
trabalho.5
OBJETIVO :
Relatar o
trabalho da fisioterapia com paciente com síndrome de
Freeman-Sheldon em processo de inclusão escolar.
RELATO DE CASO
Apresentamos o
propósito G.O.R., masculino, 7 anos, com
diagnóstico de artrogripose múltipla
congênita do tipo Freeman–Sheldon, filho de pais
não consangüíneos, hígidos e
jovens; segunda gestação, sem história
de abortos ou natimortos; irmão normal; não
há repetição familiar conhecida. A
carteirinha da maternidade está retida em um dos
serviços de atendimento à criança e os
dados foram colhidos de anotações em documentos
diversos. Nascido em 30 de julho de 1997, em hospital
público, de parto cesariano, a termo, 2700 g, a estatura ao
nascimento não avaliada devido às contraturas,
segundo informações da mãe; permaneceu
doze dias na UTI Neonatal alimentado com leite materno, por sonda
nasogástrica; sem cardiopatia. O diagnóstico foi
feito após dezoito dias do nascimento, quando passou a ser
acompanhado por uma equipe multidisciplinar.
Após alta passou a ser alimentado com leite NAM, com
mamadeira; farinhas espessantes foram introduzidas na dieta devido
à dificuldade de sucção e
deglutição e de ganho de peso. Hoje, com sete
anos de idade, seu peso é de 12.800 g; alimenta-se
normalmente, em pequenas porções durante o dia.
Recebido no
setor de fisioterapia para avaliação em
02.02.2003, observou-se boca pequena, diminuição
da mímica facial, marcha com grande dificuldade, contraturas
das diversas articulações dos membros, escoliose
severa, hipotrofia muscular generalizada, baixo peso para idade,
dificuldade na fala, sem comprometimento cognitivo.
Nosso desafio
foi incluí-lo na educação infantil, em
escola pública de seu bairro, em sala regular. A
mãe declarou várias tentativas frustradas de
matricular o filho na escola mais próximo da sua
residência (distante uma quadra). A
intervenção dos profissionais que atuam no CPEP
(Centro de Pesquisa e Estudo de Fisioterapia em Pediatria) - Projeto
CURUMIM junto à diretoria da Escola, levando as
informações adequadas sobre a
condição do aluno, e colocando-se a
disposição para o suporte considerado
necessário, conseguiu efetivar a matrícula no
ensino infantil, mesmo tendo 7 anos, evitando sua entrada direto no
ensino fundamental.
No ano
seguinte novamente a mãe não consegue realizar a
matrícula; e novamente a equipe do Projeto CURUMIM foi
até a nova escola onde havia vaga disponível.
Mais uma vez, após esclarecer as
condições do aluno e se colocar a
disposição, além da vaga para primeira
série do ensino fundamental a escola ofereceu vaga para o
irmão que cursa a 5ª série do ensino
fundamental, e providenciou o transporte gratuito.
Dessa vez, foi
necessária a adaptação de uma carteira
de acordo com a medidas do aluno, cedida pela escola e realizada no
setor de manutenção da UNISA, pelas equipes de
manutenção e serralheria.
Outra visita
feita à escola, dessa vez com a presença da
mãe, das fisioterapeutas e do pediatra, relacionou-se
à questão de acessibilidade: o elevador da escola
encontra-se em manutenção desde a
inauguração do prédio e o aluno, que
não pode subir escadas, tem algumas aulas no 3º
andar. Na conversa com a coordenadora ficou decidido que o aluno
deveria ser carregado na subida de escadas até que o
elevador fique pronto...
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Após dois anos de tratamento observamos: melhora da marcha,
maior funcionalidade dos membros com contraturas,
independência para realizações de
atividades de vida diária, melhora qualitativa da
socialização, melhora qualitativa da
relação familiar. Neste período
trabalhamos na intuito de promover melhor qualidade de vida para o
paciente e sua família, visando sua inclusão na
sociedade. Acreditamos que nossos objetivos, mesmo que
pareçam ambiciosos, começam a se realizar: G.O.R.
lê e escreve como qualquer menino de sua idade; joga bola; ri
muito; briga; faz amigos... e ama o futebol.
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA:
1. CUNHA,L.A.M.; GRIMM, D.H. Artrogripose
múltipla congênita. In:
SIZÍNIO, H.; XAVIER, R. PARDINI JR., A.G.; BARROS FILHO,
T.E.P. Ortopedia e Traumatologia. Princípiose
práticas. 2ª ed. Porto Alegre, Manole, 1998.
Capítulo 38, p. 867-91.
2. MURAHOVSCHI, J. Pediatria
– diagnóstico e tratamento. 5ª
ed. São Paulo, Sarvier, 1995.
3. TACHADJIAN, M.O. Ortopedia:
princípios e sua aplicação.
2ª ed. São Paulo,
Manole, 1995.
4. SARMIENTO, M.E. Síndrome de Freeman-Sheldon
– Revisíon Bibliográfica.Revista
Cubana Pediatria. Havana, v.73, nº 4, p. 230-5, 2001.
5. BRASIL, Lei nº
9.394, de 26 de dezembro de 1996, Presidência
da República, Subchefia para assuntos jurídicos,
Brasília, DF.
Autorização para
apresentação das fotos de acordo com a
legislação bioética vigente, assinada
pelos responsáveis, em poder dos autores.
*FLAVIA DA SILVA LEANDRO PIRES; flavia@cpep-fisio.com.br,
bolsistas da UNISA: PIRES, FRANCO, FRANÇAO, SOUZA
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