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ESTUDO DOS BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS UTILIZADOS PELO FISIOTERAPEUTA NA BRINQUEDOTECA
Souza, A.A.F.1*; Coronado, R.M.1; Franco, P.1; Marques,V.C.1; Menuzzi, R.B.G.1;
Piai, V.N.M.1; Pinto, T.F.1; Pires, F.S.L.1; Marchese, D.M.A.1
1.UNISA – FACULDADE DE FISIOTERAPIA – SÃO PAULO – SP – BRASIL
Palavras-Chave : brinquedoteca, brinquedo, fisioterapia, recreação
INTRODUÇÃO:
A hospitalização da criança representa uma experiência estressante e traumática que afeta seu comportamento durante e após sua permanência no hospital.1,2 Quando a criança é hospitalizada, ela não leva apenas um corpo doente; leva sua família, além de todas as experiências vividas até aquele momento.1
A condição fundamental para se exercer a humanidade é a vida,3 ameaçada durante a doença.
O brincar é a forma da criança se relacionar com a circunstância especial de estar hospitalizada; o ato de brincar é aprendido e construído na realização interpessoal, sendo através dele que a criança inicia seu processo de autoconhecimento, toma contato com a realidade externa e, a partir das relações construídas passa a interagir com o mundo.2 O brinquedo ajuda a fazer o hospital parecer menos hostil e a proporcionar à criança um recurso para fugir da ansiedade causada pela doença e pelas visões estranhas a sua volta.1
Ao se tratar de uma criança devem ser levados em consideração os aspectos clínicos e patológicos da doença e da limitação, mas também deve ser abordada a importância de se considerar o lado saudável e resgatar sua potencialidade, normalmente latente durante o processo de doença e internação.3
Essa é a idéia da brinquedoteca: um local de descobertas e estimulação, onde a criança libere sua criatividade, sua imaginação, fazendo com que o tempo de hospitalização seja menos sacrificado.
Pensando-se na saúde integral da criança, é necessário também investir no processo educativo da família para a valorização da atividade de brincar e do brinquedo enquanto recursos educativos, formativos e terapêuticos.
Portanto, atividades educativas e formativas, terapêuticas ou simplesmente lúdicas devem se desenvolver conjuntamente, buscando-se, de todas as maneiras, a satisfação do paciente e seus acompanhantes.
Tratar brincando torna o trabalho mais agradável, para todas as partes (a criança, o acompanhante, o profissional da Saúde); e mais efetivo, já que se pode obter uma melhor aderência ao tratamento. Mas para poder brincar será necessário reaprender, relembrar, reviver, analisar o brinquedo e a brincadeira.
Auxiliar nesse processo é a intenção da produção de um manual de brinquedos e brincadeiras para uso do Fisioterapeuta na brinquedoteca hospitalar.
OBJETIVO :
Testar e desenvolver brinquedos e brincadeiras para utilização no tratamento de Fisioterapia na enfermaria pediátrica hospitalar, incluíndo-os em um manual.
(clique nas fotos para ampliar)
  
METODOLOGIA:
O trabalho está sendo desenvolvido nas enfermarias da Pediatria do Hospital Geral do Grajaú e no Centro de Pesquisa e Estudo de Fisioterapia em Pediatria da Faculdade de Fisioterapia Unisa-CPEP-Projeto Curumim,por acadêmicos da Faculdade de Fisioterapia UNISA.
Os brinquedos escolhidos ou produzidos para uso nas diversas intervenções fisioterapêuticas estão sendo testados, em sua aceitação e eficiência, durante as intervenções dos acadêmicos de Fisioterapia componentes dos grupos de atuação na brinquedoteca hospitalar e em atividades extras como a semana da Odontologia e a Campanha Nacional de Vacinação.
RESULTADOS PRELIMINARES
Participaram do grupo de intervenção da brinquedoteca hospitalar, em 2004, vinte e cinco acadêmicos de Fisioterapia, em trios, com presenças repetidas a cada quinzena e nos dias festivos, de 01 de junho a 30 de novembro, com carga horária de 248 horas. Os alunos tiveram suas horas certificadas pela diretoria da Faculdade de Fisioterapia. Durante a intervenção na brinquedoteca, foram atendidas 106 crianças, sendo 64 meninas e 42 meninos, com idade variando entre 4 meses e 12 anos de idade e média de 4 anos e 8 meses.
Entre os brinquedos clássicos, a bola, o quebra-cabeça, e a pintura foram os preferidos pelas crianças das diversas idades.
Brinquedos Mais Procurados
|
Meninas |
Meninos |
Total |
Bola |
17 |
13 |
30 |
Quebra Cabeça |
14 |
13 |
27 |
Pintura |
15 |
4 |
19 |
Total |
46 |
30 |
76 |
Como brinquedos e brincadeiras escolhidos que podem ser utilizados pelo fisioterapeuta na brinquedoteca hospitalar selecionamos:
Bexiga – Para a fisioterapia respiratória, cheia ou para encher.
Lego – Estimulação cognitiva e sensorial; coordenação motora.
Gangorra e Escorregador – Estimulação sensorial, de equilíbrio e propriocepção.
Pintura – Motricidade fina, coordenação motora, estimulação sensorial (cor e forma).
O teatro de fantoches apresentou as peças: Chapeuzinho Vermelho e Os Três Coelhinhos, com boa aceitação pelas crianças e pela equipe.
DISCUSSÃO
Quando a criança vai a brinquedoteca, ela sente-se constrangida e envergonhada, o que faz com que, no primeiro contato, utilize o brinquedo que alguém lhe oferece ou aquele que está mais próximo. Muitas vezes o primeiro brinquedo não é o preferido; a criança só pega o brinquedo que realmente quer após algum tempo. Por esse motivo, a maioria delas brinca com mais de um brinquedo.
Para o profissional de saúde que trabalha em brinquedoteca é extremamente importante que tenha qualificação adequada e conheça as fases do Desenvolvimento Neuropsicomotor, pois assim compreenderá o comportamento da criança, obtendo uma melhor resposta ao tratamento
O grupo de teatro será reforçado no próximo período, com o treinamento de mais acadêmicos. O apoio da equipe multidisciplinar, decisivo para o sucesso do trabalho, deverá ser a preocupação, com a inclusão de acadêmicos de outros cursos
O envolvimento dos alunos de Fisioterapia em seus primeiros anos de graduação e a melhora da relação paciente-fisioterapeuta será o tema dos textos a serem produzidos no próximo semestre.
Estamos iniciando a intervenção junto a pacientes acamados e na UTI Pediátrica.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
1. ANGELO, M. Brinquedo: um caminho para a compreensão da criança hospitalizada. Revista da Escola de Enfermagem USP, São Paulo, v.19, n.3, p.213-223, 1985.
2. KUDO, A.M. e PIERRE, S.A. Terapia Ocupacional com criança hospitalizada. In: PIERRE, S.A.; KUDO, A.M.; MARCONDES, E.; LINS, L.; MORIYAMA, L.T; GUIMARÃES.M.L.L.G.; JULIANI.R.C.T.P. (Coord.). Fisioterapia, Fonoaudiologia eTerapia Ocupacional em Pediatria. 2ª ed. São Paulo: Sarvier, 1997, p.194-203.
3. DALLARI, D.A. Bioética e Direitos Humanos. In: COSTA, S.I.F.; OSELKA, G & GARRAFA, V. INICIAÇÃO A BIOÉTICA. Brasília, Conselho Federal de Medicina, 1998.
*Andréia Aparecida Freitas Souza; e-mail: aap@unisa.com.br ; Bolsistas da UNISA: Souza, Franco,Franção,Pinto,Pires.
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