|
|
SÍNDROME
DE KLIPPEL-FEIL (KFS):
RELATO DE CASO
|
SÍNDROME
DE KLIPPEL-FEIL (KFS):
RELATO
DE CASO
RODRIGUES, E.A.;1*
SANTOS, E.L.;1*
MIOTTI, D.;1
LIRA, R.M.;2
SOUZA, A.A.F.; 2*
PIRES, F.S.L.;3
MARCHESE, D.M.A.4
Faculdade
de Fisioterapia da UNISA - CPEP-Fisio-Projeto CURUMIM
(Centro de Pesquisa e Estudo de Fisioterapia em Pediatria)
1.
Acadêmica Estagiária; 2. Acadêmica
Monitora; 3. Aprimoranda;
4. Orientadora - Fisioterapeuta Responsável pelo
Projeto CURUMIM.
Palavras
Chave: síndrome de Klippel-Feil;
pescoço curto distrófico congêncito;
fisioterapia
I NTRODUÇÃO
A síndrome de Klippel-Feil (KFS) é uma anomalia
congênita de origem autossômica com
herança
dominante (OMIM %118100) ou recessiva (OMIM %214311). 1
Caracteriza-se por um defeito na formação ou
segmentação das vértebras cervicais,
resultando em
uma fusão aparente.1,2,3 A incidência é
de 1 para
cada 42.000 nascimentos. 4
O
fenótipo inclui pescoço curto, baixa linha
posterior do
cabelo, movimento limitado do pescoço, sendo que os
três
aparecem juntos em menos de 50% dos pacientes. A
posição
da cabeça lembra a posição do
torcicolo
congênito. Alterações
esqueléticas e
sistêmicas são comuns: assimetria facial em
função do pterigium coli, escoliose,
elevação de escápula, surdez,
malformações cardíacas e renais. A
classificação para KFS compreende o tipo I
(fusão
maciça das vértebras cervicais e
torácicas em um
único bloco ósseo), tipo II (fusão de
1 ou 2
espaços intervertebrais cervicais ou atlantoccipital); tipo
III
(compressão e fusão das cervicais e
fusão em
torácica ou lombar baixa). 1,2 O
tipo II com fusão de C2 e C3 é a forma mais comum. 1
RELATO
DE CASO
Apresentamos o propósito E.A.S, 4 anos, masculino, filho de
pais
hígidos, sem consangüinidade parental; segunda
gestação; irmã com 5 anos,
hígida. Nasceu
de parto cesáreo, com apresentação
pélvica,
a termo; internação no
berçário até
30 dias de vida. Mãe parece desconhecer a
condição
da criança. O Controle da cabeça foi atingido por
volta
dos 5 meses e a marcha aos 12 meses aproximadamente. Apresenta
pescoço curto, baixa linha de
implantação do
cabelo, movimento do pescoço pouco limitado, pterigium coli
à esquerda, retificação da coluna,
tórax em
barril, abdome protuso, escápulas aladas, estrabismo
convergente
a esquerda, respiração abdominal; sem
comprometimento
sistêmico. Fala compatível com a idade,
audição normal, grande número de
quedas por
desequilíbrio. Diagnosticado como KFS Tipo II, sem
indicação dos espaços vertebrais
comprometidos.
Atendido por serviço de Fisioterapia desde 03 de
março de
2004 com objetivo de alongamento e correção da
postura
(no limite possível), treino de equilíbrio e
propriocepção para proteger-se e evitar as
quedas;
estímulo do uso das duas mãos de forma
simultânea e
treino de atividades visando a inclusão escolar. Para tanto,
as
condutas utilizadas foram: mobilização das
escápulas, estimulação das
reações
de endireitamento, dissociação de cinturas com
auxílio de bola suíça, brincadeiras na
balança, estimulo do uso do lado direito equilibrando-se,
empurrar bola com as duas mãos, jogar bola na cesta, chutar
e
arremessar, jogar futebol chutando a bola alternando as pernas,
caminhar e brincar no jardim sensorial, desenhar com tinta guache
utilizando as duas mãos, brincadeiras de dentro e fora,
reconhecimento de cores.
Hoje as quedas praticamente desapareceram; manteve-se a
preferência pelo uso da mão esquerda. A baixa
atenção e rápido desinteresse indicam
possível favorecimento da criança se tratada com
as
técnicas da psicomotricidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na fisioterapia é
necessário cuidado quando se recebe uma criança
para
tratamento com diagnóstico de torcicolo congênito
ou
alteração da coluna sem exclusão do
diagnóstico possível de KFS. Nesse caso, a
correção da posição da
cabeça
é impossível em virtude da
malformação e a
dor e possibilidade de trauma é real. A
preocupação do fisioterapeuta deve ser com a
manutenção da postura e a
preservação da
coluna vertebral para que a correção
cirúrgica,
muitas vezes necessária, possa ser realizada mais
tardiamente e
uma estatura maior seja atingida.
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA:
1. McKUSICK, A. V. KLIPPEL-FEIL SYNDROME, AUTOSSOMAL DOMINANT. ONLINE
MENDELIAN INHERITANCE IN MAN (OMIN). Disponível em:
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/dispomim.cgi?id=118100>.
Acessado em: 27/06/2006.
2. SENOSIAN, E. A.; TELLEZ-ZENTENO, J. F. SINDROME DE KLIPEL-FEIL.
IMAGENES POR TOMOGRAFIA EN 3ª DIMENSION. Gaceta
Médica de
México, n.6, v.137, México, D. F. Novembro, 2001.
Disponível em: < http://scielo-mx.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0016-38132001000600013&lng=es&nrm=iso
> . Acessado em: 28/06/2006.
3. WIEDEMANN, W. R.; KUNZE, J.; DIBBERN, H.; Atlas de
Síndromes
Clínicas Dismórficas. São Paulo,
Manole, 3ª
ed., 1996, p.296.
4. AZAMBUJA, H. V.; AZAMBUJA, W. V.; ZANATTA, G. M.;
Síndrome de
Klippel-Feil: relato de caso e possibilidade
ortodôntica-ortopédica. Rev. Fac. Odontol. Univ.
Passo
Fundo, n.2, v.8, p.15-19, jul./dez. 2003.
*Bolsista da UNISA
A
utilização das fotos foi autorizada pelos pais
da menor.
|
|
|