INTRODUÇÃO
A síndrome de Prader-Willi
(PWS) é uma doença neurocomportamental que foi
descrita em 1956 por Prader, Labhart e Willi. Resulta da
deleção citogenética ou molecular da
região cromossômica 15q11-q13 paterna,
região crítica para PWS, ou dissomia uniparental
materna, com perda de genes funcionais do progenitor.
1,2 Com
incidência de 1/5000 a 1/10.000 nascimentos,
3 PWS
pode ser definida por apresentar duas fases de
evolução distintas. A primeira caracteriza-se por
diferentes graus de hipotonia durante o período neonatal e a
primeira infância. Já a segunda caracteriza-se
pela obesidade que ocorre por volta de 1 a 6 anos. Outras
manifestações clínicas incluem retardo
mental, baixa estatura, hipogonadismo, estrabismo e
hipersonolência.
1,2
Muitas manifestações clínicas remetem
à deficiência hipotalâmica. No entanto,
no exame pós-morte não foram encontradas
alterações estruturais no hipotálamo.
2 Os
pacientes com PWS apresentam uma diminuição da
percepção da saciedade, hiperfagia devido a
alterações no mecanismo de controle de apetite em
nível hipotalâmico, associados com
diminuição da capacidade de vomitar, levando a um
quadro de obesidade e conseqüentes
complicações como patologias osteoarticulares,
diabetes Mellitus tipo 2, hiperlipidemia, problemas cardiovasculares e
respiratórios.
4
RELATO
DE CASO
O propósito é
V.S.S.M, 4 anos, feminino, portadora de PWS por heterodissomia materna,
confirmada por estudo de padrão de
metilação e análise de
microssatélites. Pais não
consagüíneos e 2 irmãos mais velhos,
hígidos. Mãe fumante, nega uso de drogas e
álcool; realizou acompanhamento pré-natal.
Criança nasceu pré-termo, de parto
cesárea por apresentação
pélvica, com peso de 2.520 g e 47 cm de estatura.
Após nascimento apresentou hemorragia intracraniana,
hipoglicemia, desnutrição e hipotonia; permaneceu
internada por 20 dias e apresentou ganho repentino de peso. O controle
de cabeça apareceu somente com 1 ano de idade; engatinhou
com 18 meses.
É atendida no
ambulatório de fisioterapia da Universidade de Santo Amaro
(UNISA), pelo CPEP-Fisio - Projeto CURUMIM, desde março de
2004, com 2 anos de idade. Faz acompanhamento nutricional. Das
características físicas somente os pés
e mãos pequenos foram evidentes ao exame.
Reações de retificação,
equilíbrio e proteção adequadas
até a posição sentada. Notava-se que a
gordura das coxas dificultava a marcha recém adquirida,
realizada com apoio, incoordenada e com desequilíbrio para a
esquerda; lordose lombar levemente acentuada; abdome globoso.
Apresentava hipotonia; alimentava-se sozinha; e mantinha um
relacionamento social normal. Falava poucas palavras.
O tratamento fisioterapêutico
realizado consistia em fortalecimento de MMII, treino de lateralidade,
equilíbrio e propriocepção, treino da
marcha e gasto energético. Atualmente o tratamento foca
gasto energético, propriocepção,
equilíbrio e atividades escolares (pinturas e desenhos). A
lordose lombar está acentuada (característica
racial?) e o abdome parece globoso. Apresenta uma hipotonia pouco
significativa, reações de equilíbrio,
proteção e retificação
adequadas, equilíbrio alterado, marcha adequada
porém, claudicante a esquerda; não confirmado
problema ortopédico ou neurológico que explique a
claudicação. Fala bem para a idade. É
atenta, participativa e muito educada. Freqüenta escola e
mantém relacionamento social normal. Conta com o apoio da
família em tempo integral.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
O tratamento da criança com
PWS pela fisioterapia é significativo na primeira fase,
hipotônica e com retardo no desenvolvimento neuropsicomotor
desde o princípio. Na segunda fase, no início do
aparecimento da obesidade, surge a necessidade do trabalho com maior
gasto energético como atitude proativa no sentido da perda
de peso. A atuação familiar é
imprescindível na colocação de limites
para a criança. Porém, a pergunta que fica por
responder é até onde podemos considerar essa
atuação como contribuição
efetiva, já que existe uma alteração
hipotalâmica possivelmente funcional, até o
momento sem tratamento conhecido, e são poucos os estudos
que comprovam a eficiência dos métodos
tradicionais de perda de peso efetiva nessa
condição.
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA:
1.FRIDMAN, C. Síndrome de Prader-Willi e Síndrome
de Angelman: Imprinting Genômico na Espécie
Humana. In: Série Monografias, nº 5, Sociedade
Brasileira de Genética. Ribeirão Preto: SBG,
1997. p. 1-56.
2. FRIDMAN, C.; KOK, F.; KOIFFMAN, C. P. Síndrome de
Prader-Willi em Lactentes Hipotônicos. Jornal de
Pediatria v. 76, n. 3, p. 246-250, 2000. Disponível
em:<
http://www.jped.com.br/conteudo/00-76-03-246/port.asp?cod=66%20%20>
. Acessado em:17/08/2006.
3. Gunay-Aygun M, Schwartz S, Heeger S, O'Riordan MA, Cassidy SB.
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Changing Purpose of Prader-Willi Syndrome Clinical Diagnostic Criteria
and Proposed Revised Criteria. Pediatrics 2001; 108: e92.
4.BRAGHETTO M, Italo, RODRIGUEZ N, Alberto, DEBANDI L,
Aníbal et al. Síndrome Prader-Willi asociado a
obesidad mórbida: tratamiento quirúrgico. Rev.
méd. Chile. [online]. abr. 2003, vol.131, no.4 [citado 17
Agosto 2006], p.427-431. Disponível:
http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-98872003000400011&lng=pt&nrm=iso
. ISSN 0034-9887>. Acessado em: 17.08.2006.