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FISIOTERAPIA EM EPIDERMÓLISE BOLHOSA (EB): RELATO DE CASO

 V. SUZUKI; A. G. P. OLIVEIRA; P. FRANÇÃO* (acadêmicas)

D. M. A. MARCHESE (orientadora )

* Bolsista Monitora da UNISA

Faculdade de Fisioterapia da UNISA

INTRODUÇÃO:

As doenças classificadas sob esse termo caracterizam-se por uma fragilidade da pele e mucosas com formação de bolhas e cicatrizes na epiderme, principalmente por alterações da queratina e do colágeno, em regiões de traumatismo e compressão ou por mudanças climáticas. Podem acometer as superfícies dos órgãos incluindo área externa dos olhos, cavidade oral, trato gastrintestinal e geniturinário. Diferem em intensidade, características clínicas e histológicas, e prognóstico.1,2 As afecções podem ser de origem hereditária (autossômica dominante ou recessiva, acometendo diversos locais cromossômicos), adquirida, auto-imune ou doença bolhosa.3,4 Classificam-se em três principais categorias: EB Simples, EB Juncional e EB Distrófica ou Dermolítica. Atualmente não há tratamentos que curem ou controlem a formação das bolhas de forma definitiva; objetiva-se a prevenção do surgimento delas, de infecções e deficiências nutricionais, sob acompanhamento muldisciplinar.1

(clique nas fotos para ampliar)

 OBJETIVO E CONDUTA :

O tratamento fisioterapêutico direciona-se ao déficit motor gerado pelas limitações funcionais resultantes das cicatrizes e bolhas, buscando prevenir maiores deformidades. O trabalho é limitado pela necessidade constante de avaliação das condições da pele e dos materiais usados em terapia, além do medo de lesão que o paciente expressa na contenção do movimento.

Os apoios dos equipamentos devem ser preparados de modo a reduzir ao mínimo a pressão sobre a pele; o toque deve ser suave e orientado no sentido mais de ser apoio do que de apoiar. Nesse sentido, a mobilização ativa resolve a questão da lesão por compressão.

A conduta fisioterapêutica objetivando a maior independência funcional, direciona-se ao treino das habilidades de vida diária, da marcha independente e da motricidade fina, com ênfase no treino da propriocepção e do equilíbrio.

RELATO DE CASO

O propósito descrito é A. M. A. O., masculino, 11 anos, com EB Distrófica; atendido no PROJETO CURUMIM – Ambulatório de Atendimento Fisioterapêutico e Estudo Multidisciplinar de Genética Humana, da Faculdade de Fisioterapia da UNISA desde 22.05.2002; apresentando amplitude de movimento, equilíbrio e coordenação, retificação e marcha prejudicados pela limitação da pele; trofismo e força muscular diminuídos em membros inferiores; bolhas e cicatrizes pelo corpo todo que pioram no calor; histórico de duas cirurgias para correção das sinéquias nas mãos. A publicação de fotos e dados foi devidamente autorizada.

 RESULTADO

Observou-se melhora no equilíbrio e coordenação, ganho de força muscular em membros inferiores, manutenção da amplitude de movimento e melhor relacionamento social; ainda mantém medo de cair e machucar-se, fator de constante preocupação na preparação das terapias.

 DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

 A fisioterapia oferece oportunidade de melhora na qualidade de vida do paciente e dos familiares, prevenindo limitações funcionais ainda maiores, com melhores resultados dependendo da precocidade e da constância do atendimento.

É importante conhecer, a cada sessão, através do acompanhante ou da própria criança, quais são os limites para se evitar as lesões.

 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA :

1. SAMPAIO, S.; RIVITTI, E. Dermatologia. São Paulo: Artes Médicas, 1998.

2. BRASILEIRO, G. F.; PITTELA, J. E. H.; PEREIRA, F. E. L.; BAMBIRRA, E. A.; BARBOSA, A. J. A. Bogliolo Patologia. 5ª. ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1994.

3. NELSON, W. E. Tratado de Pediatria. 15ª. ed., v. 2 Rio de janeiro: Guanabara-Koogan, 1997.

4. WIEDEMANN, H.; KUNZE, J.; DIBBERN, H. Atlas de Síndromes Clínicas Dismórficas. 3ª. ed. São Paulo: Manole, 1992.