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PORTADORES DE DEFICIÊNCIA E NECESSIDADE DE FISIOTERAPIA EM ÁREA DO PSF
 

Saúde Pública



PORTADORES DE DEFICIÊNCIA E NECESSIDADE DE FISIOTERAPIA EM ÁREA DO PSF


Silva, R. P.1; Abetini, M. C.2; Braga, D. R.1; Guimarães, T. P. F.2; Marchese, D. M. A.3



Introdução

Deficiência resume um grande número de diferentes limitações funcionais, permanentes ou transitórias, gerando ao portador barreiras físicas e sociais.1 A reabilitação visa permitir que a pessoa deficiente atinja seu melhor nível de independência e funcionamento físico, mental e social.2 O Programa Saúde da Família (PSF), apoiado nos princípios do SUS, está voltado principalmente para a prevenção primária. Porém, durante muito tempo, estiveram excluídos da rede básica os serviços de fisioterapia, cuja principal atuação é a reabilitação, acarretando uma grande dificuldade de acesso da população a esses serviços e gerando um aumento da demanda nos centros que o oferecem gratuitamente.3 Torna-se importante então, a inserção da fisioterapia junto à equipe básica do PSF, atuando na promoção e prevenção da saúde, mas também na reabilitação, já que a procura por este serviço é real.4 No bairro Jardim Três Corações, no Distrito do Grajaú-SP, que abriga o PSF atendendo 22.531 habitantes, 130 deles são descritos nos relatórios do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB)  como portadores de algum tipo de deficiência, sem que se conheça sua necessidade de reabilitação.


     


Objetivo

Este trabalho, em andamento, pretende caracterizar os portadores de deficiência listados nos relatórios SIAB obtidos no PSF do bairro Jardim Três Corações, e tem como objetivo final a implantação de um serviço de fisioterapia que atenda as reais necessidades da população estudada.


Metodologia

Este estudo está sendo desenvolvido junto à UBS do bairro Jardim Três Corações que abriga o PSF. O trabalho será dividido em três fases. A primeira fase constitui-se em realizar análise dos 130 prontuários das famílias que possuem algum portador de deficiência conforme indicado nos relatórios do SIAB. Na segunda fase será realizada a aplicação de três questionários durante visitas domiciliares e a elaboração de plano de atendimento fisioterapêutico. A terceira fase se concluirá com a implantação do atendimento fisioterapêutico.
Os questionários são referentes ao tipo de deficiência (física, sensorial e mental); classificação do nível de dependência do indivíduo; e a dados socio-economicos-culturais e ambientais.


   


Resultados Preliminares

Durante a primeira fase foram analisados 126 prontuários, visto que 4 não foram encontrados.
Sabe-se que 126 deficientes é um valor subestimado, já que a população total atendida pelo PSF no bairro Jardim Três Corações é de 22.531 habitantes e, segundo a OMS, 10% da população mundial total apresenta algum tipo de deficiência.  Assim, o número encontrado deveria ser de aproximadamente 2.253 moradores com algum tipo de deficiência.
Dos 126 portadores de deficiência, 53,18% são do sexo masculino, 35,71% do sexo feminino, e em 11,11% não foi possível identificar o portador de deficiência com base nos dados constantes dos prontuários, já que havia mais de um morador na família e a condição não estava indicada (gráfico 1).
A mediana de idade foi 27 anos, sendo a menor idade 1 ano e a maior 87 anos.
Com relação ao tipo de deficiência, foram encontrados portadores de deficiência sensorial, mental e física, entre elas: hemiplegias, tetraplegias, paralisia cerebral, hidrocefalia, síndrome de Wilson, retardo mental, deficiência visual e deficiência auditiva, amputações, além de condições congênitas como a síndrome de Down.






Discussão

Com relação a primeira fase, foi possível observar que tanto os relatórios SIAB quanto os prontuários, não fornecem informações suficientes que classifiquem o portador de deficiência. Isto deve-se a falta de local específico no prontuário e nos relatório SIAB para descrever o tipo de deficiência do indivíduo, e também, a falta de treinamento específico das Agentes Comunitárias da Saúde (ACSs) para a identificação inicial dos tipos de deficiência.
Torna-se importante então, a realização da segunda fase deste estudo para a classificação desses moradores. Com os resultados parciais da primeira fase, foi possível verificar a importância da inserção da fisioterapia junto à equipe básica do PSF, atuando na promoção e prevenção da saúde e na reabilitação, já que há portadores de  tipos de deficiências que se beneficiariam desse tratamento por serem pacientes clássicos da fisioterapia. A fisioterapia tem papel importante no PSF também na Educação em Saúde, ministrando palestras e cursos as ACSs para a melhor identificação destes pacientes e também de outros casos.
 

Referências Bibliográficas

1
- ONU (Organização das Nações Unidas). Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência. (Res.48/96- 48ª sessão,20.12.1993) São Paulo: APADE, CVI-NA, 1996, 49p.

2 - ONU (Organização das Nações Unidas). Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência. (Resolução 37/52, 37º sessão, 03.12.1982). Disponível:< www.mj.gov.br/sndh/cedipod f.htm.> acessado: 30/08/00.

3 - RIBEIRO, K. S. Q. S. A atuação da fisioterapia na atenção primária à saúde – reflexões a partir de uma experiência universitária. Fisioterapia Brasil. V. 3, n. 5,  p. 311-8, set/out, 2002.

4 - VÉRAS, M. M. S.; PINTO, V. P. T.; OLIVEIRA, E. N.; QUINDERÉ, P. H. D. A fisioterapia no Programa Saúde da Família de Sobral CE. Fisioterapia Brasil. V. 6, n. 5,  p. 345-8, set/out, 2005.


Autores:

1
– Graduadas em Fisioterapia e Aprimorandas em Saúde Pública da Fac. Fisioterapia da UNISA.
2 – Graduandas da Fisioterapia UNISA.
3 – Fisioterapeuta, docente da Fac. de Fisioterapia da UNISA, responsável pelo Aprimoramento Fisioterapia em Saúde Pública da UNISA; Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento da Univ. Presbiteriana Mackenzie.